As pessoas reagem de forma completamente ignorante quando estão diante de alguma coisa com a qual não sabem lidar. Nisso, parecem idiotas, ou insuportáveis, ou frágeis, essas coisas.
Isso explica porque tanta gente chora (e tanto) quando alguém próximo morre. Claro, as pessoas não entendem, não aceitam, chorar é a forma mais fácil de desafogar a dor que sentimos por algo que não entendemos. Por isso os recém-nascidos choram, não entendem porcaria nenhuma do que está acontecendo ao seu redor: a luz forte doendo os olhos, aquele barulho todo, a sensação de "preciso aprender a respirar porque cortaram a merda do cordão... porque raios vcs me tiraram dali, se estava tão melhor para mim?".
A morte é assim também: "Por que raios você tinha que ir-se para sempre?" ...então entra a parte ignorante do ser humano, que sabe que às vezes as pessoas morrem para sofrerem menos. Por que a missão delas está cumprida. Pois bem, guardemos os aprendizados e alegrias e nos alegremos também por vê-los partir de um mundo tão conturbado para, quem sabe, um lugar bem melhor.
Eu penso que nada acaba aqui. E se assim não pensamos é porque nossa cabeça é racional e burra demais pra aceitar mais do que vemos. Não estou pregando religião alguma também, creio que só existem milhares de religiões e tão distintas entre si porque somos burros demais para entender o ponto de vista alheio, ou mais burros ainda por inventar uma regra quase anti-ética para usar como bandeira teológica e controlar multidões.
E, se nada acaba aqui, não consigo derramar lágrimas tão facilmente. Não sou frio, o problema é que não sou a maioria, choro por outros motivos. Sou incapaz de entender até mesmo um carinho de mãe ou pai, às vezes. Entender a vontade de alguém que gostamos e não gosta da gente, e isso vale da amizade mais fútil ao amor mais verdadeiro que pode-se sentir.
P*rra, como tudo é tão relativo em termos de ignorância! Para mim, Einstein foi é uma anta, por não saber nem marrar a porcaria do sapato. Assim como quem chora tanto por alguém que morre soará sempre como um ignorante por esquecer que aquilo é parte de um ciclo inevitável e que, se Deus existe, como a maior parte das pessoas acredita, está nas mãos dele agora, o que é melhor que vagar por esse mundo tão breve e tão fútil, ainda mais quando tem-se uma doença que te impossibilita saciar dessa brevidade.
Assim, parecerei sempre um imbecil por nunca ter entendido o sentido do amor, pois o que se prova dele num mundo como esse não vale mais que alimentar um velório dentro de si a cada vez que percebemos o quanto tudo aquilo é vazio e não vale/valeu a pena. Assim, pareço um besta, que se comove mais com as músicas que gosta... do que com alguém passando fome, mas mesmo assim acha ridículo alguém ser vegetariano por amor aos animais sendo que jamais teria amor a um mendigo, mesmo que seja a pessoa mais simpática e divertida que poderia entrar na sua vida (ok, em pleno século XXI é mais fácil ser um assaltante que um amiguinho, mas a mensagem é clara o bastante).
Creio que isso explica porque mesmo perdendo alguém especial anteontem eu não tenha derramado uma lágrima por ele, mas ainda assim desabo toda vez que perco a confiança em alguém que eu acreditava de coração aberto. O que faz mais sentido a você? O que é ingnorância? O que é frieza?
E basta. R.I.P. a esse post.
E a alguém que fora especial.

Um comentário:
Esse ngócio de morte é complexo demais. Acho que é uma daquelas coisas simples demais e por isso a gente não entende. Acontece que nosso lado racional SABE que foi melhor, que a pessoa tá num lugar melhor agora (eu acredito), que o sofrimento passou, etc. Mas o nosso lado emocional sabe que ela nunca mais vai voltar, a gente nunca mais vai ouvir a voz dela, nem nada. A gente pensa que nunca deu o devido valor e se arrepende por algumas coisas que fizemos. Mas tudo bem, é uma ferida que nunca cicatriza, a gente simplesmente aprende a conviver com ela. Talvez eu não tenha ajudado muito, sei lá.
Postar um comentário