Eu fiz esse texto há muito tempo e decidi postar aqui para descontrair um pouco. Não amo as vacas, apenas quis mostrar o quão besta e vazio pode ser dizer um "Feliz Natal" e o quão irracionais podemos parecer diante de um animal tão (digamos) sem-graça, depois de levar a pior contra os mesmos.
Uma Crônica Natalina (By Rafael Wakko, 14/12/05)
Véspera de Natal, um dia como qualquer outro. Era o que Joãozinho pensava quando ele (o dia, e não Joãozinho) começou. Joãozinho seguia seu caminho estrada afora até a cidadezinha próxima, pois na roça onde morava, Mimosa parou de dar leite e sua mãe (a de Joãozinho, e não de Mimosa) mandava-o comprar um canecão de leite com o leiteiro que lá morava (na cidadezinha próxima, e não na roça).
Era pleno sertão e começava a nevar. Nevava forte. Joãozinho, com suas havaianas gastas (cacete, isso é caro na Europa! -_-)... começava a ter dificuldades pra se equilibrar em cima daquele chinelo maldito, que de tão gasto não servia mais pra mantê-lo de pé no chão escorregadio. Mas tudo ocorrera bem apesar dos trocentos capotes que levou, e após sua caminhada diária de 10 km, chegou na cidadezinha.
- "Oi, vim buscar leite pra minha mãe. Onde está o leiteiro?" - Joãozinho, perguntou, com sua cara inocente de criança feliz ao atendente da padoca.
Era um menino pobre, explorado pela mãe, mas feliz (Joãzinho e não o atendente da padoca).
- "Foi dar aqueeele trato numa client... - Nisso ele se vira e viu que era uma criança quem perguntava, e emendou: - foi entregar leite em domicílio, já volta. Espere uns minutos, sim?" - Respondeu o atendente, também com um sorriso.
Joãozinho sentou-se no meio-fio e ficou observando os meninos que jogavam futebol e se xingavam com nomes feios que sua mãe nunca pronunciara e Joãozinho desconhecia. Não ficou horrorizado, apenas ficou feliz pelas palavras novas que aprendeu. Foi jogar bola com a molecada.
- "Sou próximo!" - gritou Joãozinho, feliz.
Mas os meninos eram muito do mal, eles olharam feio pra Joãozinho, riram... na verdade gargalharam seco mesmo bem na cara dele e encheram ele de porrada; ainda por cima, atolaram o canecão da mãe dele na cabeça até entalar mesmo.
E bateram com umas pedras no canecão, pra Joãozinho ouvir o barulho de pedra no alumínio e tomar uns impactos legais na cabeça (tóóóim! tóóóim! tóóóim!)! Quando Joãozinho já estava com dor-de-cabeça, os meninos cansaram e se despediram, dizendo:
- "Feliz Natal, caipira!" - Voa a última pedra e então: tóóóim! na cabeça de Joãozinho.
O garoto estava desolado, e agora com um braço quebrado e joelhos esfolados, mas ele se levantou, puxou com esforço o canecão da cabeça com a mão que lhe sobrou e foi pedir um plástico no açougue com sua cara inocente, para armazenar o leite, pois o canecão furou com tanta pedrada.
- "Acabou o saco plástico, moleque. Pega aqueles ali no lixo..." - O açougueiro dizia apontando pro lixo do outro lado da rua.
Sem escolhas, Joãozinho vai pegar o plástico no lixo, o qual fita com certo nojo. Nisso ainda ouvia o açougueiro de longe dizer: "Feliz Natal!".
Joãozinho voltou à padoca e viu uma mulher dizendo desesperada que o marido dela tinha chegado "bem na hora", que ficou bravo e deu um tiro em alguém... que ele acabou com uma pilha de leite e derramou no quintal e coisas do gênero. Joãozinho estava assustado, mas esperou a mulher ir embora pra perguntar denovo ao atendente:
- "E o padeiro, ainda demora?"
- "Ele não volta mais filho. Nunca mais! Aquele safadã... aquele pobre cristão!"
- "Como eu levo leite pra casa?"
- "Não leva. Sinto muito, não teremos leite até amanhã. Feliz Natal." - O homem se virou então e começou a atender outro cliente.
Joãozinho começou a voltar pra casa, mas estava com medo pois tinha que levar leite de qualquer jeito pra casa por que senão seu pai ficaria bravo e ia dar uma surra no moleque. Vendo seu desespero, uma velhinha teve dó dele e disse:
- "Toma o que sobrou do meu leite, menino. Você teve um dia cansativo, não? Feliz Natal."
Joãozinho ficou radiante ao perceber que a velha virou o que sobrou do seu leite dentro do saco sujo que o menino carregava. Joãozinho então agradeceu e começou a voltar pra roça. No caminho, Joãozinho percebeu que ao invés do leite parecer cada vez mais pesado, parecia mais leve. Então Joãozinho olhou pra trás e viu uma trilha de leite por onde passou...
- "PORRA, O SACO TAVA FURADO!! CARALHO!!" - Joãozinho dizia, espantado, pois tinha usado uma das palavras feias que os meninos na rua usavam. Mas logo a raiva virou desespero... - "Fudeu, mano, como que eu chego em casa sem leite, puta q pariu, fudeu tudo!". Joãozinho olhou pra neve e pensou... vai ser isso mesmo... tb é branco, qualquer coisa falo pra minha mãe que o leite tava aguado pra caralho. Joãozinho então recolheu um pouco de neve e foi pra casa.
Ao chegar em casa, explicou o que aconteceu com o canecão e retirou feliz o saco de água na mão.
- "Água? Aaahhhh MULEQUE!! vai apanhar pra cacete, seu desastrado!" - Disse o pai do menino, com fúria e pegando seu chinelao de sola grossa (o pai dele não usava havaianas) e acertando o moleque de td que é jeito. Quebrou uma perna do menino. Pronto!! Que Natal mágico, sem uma perna e sem um braço e com dois olhos roxos e com cicatriz de pedra na barriga.
*** *** *** *** ***
Meia-Noite. Dia 25. Joãozinho enfurnado no quarto ouve sua mãe feliz abrir a porta e dizer: "Feliz Natal filho!" Naquele instante, tudo o que passou pela cabeça do garoto foram os acontecimentos do dia, e cada Feliz Natal que já recebera até aquele momento nas últimas 24 horas. Joãozinho soltou uma gargalhada de louco, e começou a falar coisas horríveis:
- HAHAHAHAHA, NATAL É O CACETEEEE, VOU ACERTAR ESSA PEDRA NA TUA BARRIGA, PORRA!! HUAUHAUHA E O PAPAI VAI LEVAR PORRADA A PAULADA, PORRA, E EU VOU FAZER AQUELA VACA DAR LEITE OU VIRA CHURRASCO AMANHÃ. HUAHUAHUAHUA!!
Joãozinho começa a fazer o que prometeu sob o olhar assustado da mãe. Taca uma pedra na cabeça da mãe (headshot), que desmaia... arranca a porta do guarda-roupa e corre até a varanda, onde o pai cochilava na rede e acerta com tudo na cabeça. O pai desmaia. Então corre até a vaca e começa a puxar as tetas dela até ela decidir dar leite. Mas a vaca se enfeza, pula, e acerta umas patadas na cabeça de Joãozinho, que desmaia. Mimosa então, fugiu e foi para o Mundo das Vacas Felizes, onde há vários pastos e vacas felizes pastando e um riozinho pra beber água.
Moral da história... nesse Natal... VACAS OWN YEE ALL!! um Feliz Natal."

Um comentário:
WAKKO, VOCÊ TEM UM BLOG!!!
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