Sabe, estive pensando na possibilidade de eu ser um ET.
Não deve ser possível alguém pensar e agir de forma tão diferente de todo mundo. De achar tanta gente tão cheia de assunto e tão sem-sal.
Acho que por isso eu mais ouço que falo. E se falo, ninguém mais fala, porque minhas frases costumam ter sentido completo, bem como não tenho paciência pra explicar duas vezes uma linha de raciocínio mais complexa, ainda mais se for uma piada. EXISTE COISA MAIS CHATA que explicar piada? E acho que quando me faltam palavras é porque não consigo explicar o que é óbvio. E não, definitivamente não me acho tão inteligente quanto ouço dizerem, só acho que as pessoas são preguiçosas demais até pra pensar, o que considero inadmissível.
Me sinto um ET sempre que vejo a facilidade com que as pessoas interagem, enquanto acho um martírio mental me comunicar com gente nova. Acho um saco as pessoas precisarem de tempo para ter intimidade de tirar um barato da cara do outro. E sabe, quando não encontro palavras, faço a única coisa que faço com louvor: mandar um comentário hilário ou bem engraçado no meio da conversa que até então acompanhava só com os ouvidos. Sabe, interagir é um saco, ainda mais quando no fundo tem interesse, como por exemplo num almoço comercial ou quando você quer ficar com alguém. Como diria John Nash, se a meta é óbvia... pra que tanta palhaçada e lenga-lenga?
Aliás, falando em John Nash, acho engraçado eu ter lembrado dele. Não costumo citar famosos, nem nomes ou trechos de filmes e seriados, considero isso profundamente entendiante. E aqueles seriados americanos onde metade das risadinhas de platéia (gravadas, assim espero) são destinadas a frases supostamente engraçadas, com citações a "celebridades" que você nunca ouviu falar na vida? ALÔ, PLANETA TERRA, vocês deviam ter assistido mais Punky, a Levada da Breca, X-Files, essas coisas... isso sim era seriado! Aliás, baixem isso ao invés desses filmes alternativos chatos, ao invés de Friends, ao invés de filmes de putaria e todas essas tralhas que congestionam o tráfego virtual no mundo. Aliás, alguém me ensina a realmente gostar de ver filme e ler livro?
Outra coisa que acredito ser digna de um ET é não ter heróis. Sabe, nunca quis ser ninguém, nem nunca achei ninguém tão perfeito pra merecer ser vangloriado, invejado ou tomado como exemplo. Nunca quis ser como meu pai, nem nunca achei que preciso me mirar em alguém para conseguir ou não algo. Acredito que a única pessoa capaz de tornar-se um herói pra mim seria eu mesmo... mas pra isso eu precisaria ter e ser tudo o que queria, então eu seria um herói frustrado por não ter pra onde mais escalar. Admita, você provavelmente tem ou já teve um herói.
Sou um ET também por que não acho normal as idiotices que as pessoas inventam adquirir ou passar a fazer. Sabe, também tenho vícios, mas acredito que todo vício precisa trazer algum benefício. Já fui viciado em zilhões jogos "bobos", mas todos me desenvolveram o reflexo e raciocínio. De certa forma eles também foram, muitas vezes, um refúgio de um mundo com tanta gente e coisa broxante e/ou estressante. Apesar disso, tento evitar, porque vício a partir de um certo momento passa a ser apenas maléfico, e se parar com um joguinho às vezes já é tão difícil, imagine coisas mais pesadas que nem preciso mencionar.
Não gosto de ouvir nem ler pessoas pregando patriotismo nem dizendo que odeiam onde vive e que amam a Europa. Adoraria ver um mané desses voltar chorando pro Brasil depois de passar por racismo, de não arrumar emprego decente ou de sentir falta dos pobres mortais que os amam (isso foi tão meigo que quase vomitei). Sabe, essas coisas caracterizam outras duas que não fazem sentido existir e é pura ignorância: xiitismo e inconformismo mimado, respectivamente.
Será que é muito pedir que minha nave venha me visitar às vezes?
