quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Requiescat in Pace

Ontem ouvi uma coisa que me soou interessante. Vou adaptar para a minha forma crítica e um pouco bem mais direta e abrangente de interpretar as coisas.
As pessoas reagem de forma completamente ignorante quando estão diante de alguma coisa com a qual não sabem lidar. Nisso, parecem idiotas, ou insuportáveis, ou frágeis, essas coisas.

Isso explica porque tanta gente chora (e tanto) quando alguém próximo morre. Claro, as pessoas não entendem, não aceitam, chorar é a forma mais fácil de desafogar a dor que sentimos por algo que não entendemos. Por isso os recém-nascidos choram, não entendem porcaria nenhuma do que está acontecendo ao seu redor: a luz forte doendo os olhos, aquele barulho todo, a sensação de "preciso aprender a respirar porque cortaram a merda do cordão... porque raios vcs me tiraram dali, se estava tão melhor para mim?".

A morte é assim também: "Por que raios você tinha que ir-se para sempre?" ...então entra a parte ignorante do ser humano, que sabe que às vezes as pessoas morrem para sofrerem menos. Por que a missão delas está cumprida. Pois bem, guardemos os aprendizados e alegrias e nos alegremos também por vê-los partir de um mundo tão conturbado para, quem sabe, um lugar bem melhor.

Eu penso que nada acaba aqui. E se assim não pensamos é porque nossa cabeça é racional e burra demais pra aceitar mais do que vemos. Não estou pregando religião alguma também, creio que só existem milhares de religiões e tão distintas entre si porque somos burros demais para entender o ponto de vista alheio, ou mais burros ainda por inventar uma regra quase anti-ética para usar como bandeira teológica e controlar multidões.

E, se nada acaba aqui, não consigo derramar lágrimas tão facilmente. Não sou frio, o problema é que não sou a maioria, choro por outros motivos. Sou incapaz de entender até mesmo um carinho de mãe ou pai, às vezes. Entender a vontade de alguém que gostamos e não gosta da gente, e isso vale da amizade mais fútil ao amor mais verdadeiro que pode-se sentir.

P*rra, como tudo é tão relativo em termos de ignorância! Para mim, Einstein foi é uma anta, por não saber nem marrar a porcaria do sapato. Assim como quem chora tanto por alguém que morre soará sempre como um ignorante por esquecer que aquilo é parte de um ciclo inevitável e que, se Deus existe, como a maior parte das pessoas acredita, está nas mãos dele agora, o que é melhor que vagar por esse mundo tão breve e tão fútil, ainda mais quando tem-se uma doença que te impossibilita saciar dessa brevidade.

Assim, parecerei sempre um imbecil por nunca ter entendido o sentido do amor, pois o que se prova dele num mundo como esse não vale mais que alimentar um velório dentro de si a cada vez que percebemos o quanto tudo aquilo é vazio e não vale/valeu a pena. Assim, pareço um besta, que se comove mais com as músicas que gosta... do que com alguém passando fome, mas mesmo assim acha ridículo alguém ser vegetariano por amor aos animais sendo que jamais teria amor a um mendigo, mesmo que seja a pessoa mais simpática e divertida que poderia entrar na sua vida (ok, em pleno século XXI é mais fácil ser um assaltante que um amiguinho, mas a mensagem é clara o bastante).


Creio que isso explica porque mesmo perdendo alguém especial anteontem eu não tenha derramado uma lágrima por ele, mas ainda assim desabo toda vez que perco a confiança em alguém que eu acreditava de coração aberto. O que faz mais sentido a você? O que é ingnorância? O que é frieza?

E basta. R.I.P. a esse post.
E a alguém que fora especial.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Prelude (not) to wrath.

Por anos achei esse papo de fazer blog uma coisa besta.
Coisa de desocupado, de adolescente rebelde.
Ou carente. Por que sempre passavam de blog em blog falando "uhu amiguinho, gostei. Passa no meu e deixa uma mensagem tb?"
Isso nunca fez nexo pra mim.

Mas percebi que eu sempre escrevi também nos meus notepads.
Letras de música, frases pensativas. Textos pensativos.
E percebi que não tinha hábito de escrever coisas bonitinhas, mas sim coisas que poderiam soar como desabafos.
Nunca me coloquei no lugar do personagem que crio no que escrevo, mas sempre me identifiquei de certa forma nele.
De certa forma era eu o tempo todo e eu nem percebi.

Enfim, nisso resolvi criar isso aqui, talvez porque eu também seja, de certa forma, um adolescente revoltado ou carente, apesar de não saber o porquê.

Aí você pergunta: e esse nome de blog? esse título de blog? esse título de postagem?
Bem, como disse, tenho mania de escrever em notepads e inclui letras de música.
Não se iluda, não são letras de "eu te amo". Nunca fui bom pra escrever essas coisas, só saem se for muito espontaneamente.
A maioria é letra sobre a biografia desumana (the inhuman biography), que descreve a história de um personagem que poderia ser eu, você, seu tio, enfim.
Imagine se você soubesse tudo o que aconteceria no seu futuro... seria bom? Ruim? Como seria se você simplesmente tomasse as decisões na sua vida sabendo que não há outra escolha, seja bom ou ruim?
A única semelhança de saber do futuro ou não é que você nunca saberia se a outra escolha teria sido melhor ou pior.
Conceito esse que fala de tudo: ira, crenças, comportamento humano, amor, o fim dos tempos. 
Uma das músicas é Prelude to Wrath. Instrumental, de 2 minutos, o prelúdio para a ira. Em cada parte dela vi os estágios pelos quais passamos até a ira completa. E apesar de costumar letrar até minhas instrumentais (isso mesmo, é como se vc lesse no encarte a letra, mas quando ouvisse não tem nada) achei que essa música não precisava de mais que 6 marcadores no Guitar Pro descrevendo as sensações que cada trecho passa.

Já One Hour By The Concrete Lake é um album da banda que mais me inspira na sua genialidade, seja musicalmetne ou nas letras. Não vou falar dele, apenas recomendo.
Amanhã postarei alguma coisa produtiva, não tive um bom dia e algumas coisas não precisam ser publicadas num blog. :)

Bem-vindos à (Não-)Biografia Desumana!